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Preço médio: como calcular e por que ele importa

Por Artur Brasil · Atualizado em 20 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Preço médio é o que você pagou, em média, por cada ação ou cota que tem hoje. Para calcular, some tudo o que gastou nas compras (com corretagem e taxas) e divida pela quantidade comprada. É uma média ponderada: compras maiores pesam mais. E é o custo que a Receita Federal usa para apurar seu ganho ou prejuízo quando você vende.

Os exemplos abaixo são ilustrativos: um ativo fictício e valores inventados só para mostrar a conta.

Em resumo
  • Preço médio é o que você pagou, em média, por cada ação ou cota: os custos das compras somados e divididos pela quantidade.
  • No exemplo, R$ 4.115 em 200 ações dão preço médio de R$ 20,575. A média simples de R$ 20,67 é outro número.
  • Vender não muda o preço médio das ações que sobraram. A venda realiza um ganho ou um prejuízo.
  • O preço médio mostra o seu resultado; a meta mostra o que comprar.

Como calcular o preço médio passo a passo?

São três passos:

  1. Some o custo de cada compra: quantidade × preço, mais a corretagem e as taxas que você pagou. A Receita diz que essas despesas são "acrescidas ao preço de compra", e a própria página dela sobre o cálculo do imposto soma as taxas ao total da compra.
  2. Some as quantidades.
  3. Divida o custo total pela quantidade total. O resultado é a média ponderada dos custos unitários.

Veja com uma ação fictícia, a ABCD3:

CompraQuantidadePreçoTaxasCusto da compra
1100R$ 20,00R$ 5,00100 × 20 + 5 = R$ 2.005,00
250R$ 24,00R$ 5,0050 × 24 + 5 = R$ 1.205,00
350R$ 18,00R$ 5,0050 × 18 + 5 = R$ 905,00
Total200R$ 4.115,00

Preço médio = 4.115 ÷ 200 = R$ 20,575 por ação (na tela, R$ 20,58).

Repare que a média simples dos preços, (20 + 24 + 18) ÷ 3 = R$ 20,67, dá outro número. A compra 1 tem o dobro da quantidade das outras e, por isso, pesa mais.

Preço médio da ABCD3, passo a passo
  1. 1

    Some o custo de cada compra

    Quantidade × preço, mais as taxas. Compra 1: 100 × 20 + 5 = R$ 2.005,00. Compra 2: 50 × 24 + 5 = R$ 1.205,00. Compra 3: 50 × 18 + 5 = R$ 905,00.

    Custo total: R$ 4.115,00

  2. 2

    Some as quantidades

    100 + 50 + 50 ações.

    200 ações

  3. 3

    Divida o custo total pela quantidade total

    O resultado é a média ponderada dos custos unitários.

    R$ 4.115,00 ÷ 200 = R$ 20,575

Preço médio × preços das compras (ABCD3)
  • Compra 1 (100 ações)R$ 20,00
  • Compra 2 (50 ações)R$ 24,00
  • Compra 3 (50 ações)R$ 18,00
  • Média simples dos preçosR$ 20,67
  • Preço médio ponderadoR$ 20,575

O preço médio muda quando eu vendo?

Não. Vender não altera o preço médio das ações que sobraram. O que a venda faz é realizar um ganho ou um prejuízo. Para a Receita, o ganho líquido é a diferença positiva entre o valor de venda e o custo de aquisição, e as despesas da venda são descontadas do preço de venda.

Continuando o exemplo: você vende 80 ações a R$ 26,00 e paga R$ 5,00 de taxas.

  • Valor líquido da venda: 80 × 26 − 5 = R$ 2.075,00.
  • Custo das 80 ações vendidas: 80 × 20,575 = R$ 1.646,00.
  • Ganho: 2.075 − 1.646 = R$ 429,00.
  • Sobram 120 ações, ainda com preço médio de R$ 20,575 (custo restante: 120 × 20,575 = R$ 2.469,00).

Se esse ganho gera imposto ou não depende de quanto você vendeu no mês. A conta completa está em IR na venda de ações e FIIs: o básico antes de vender.

Por que o preço médio importa?

Por três motivos práticos.

1. É a base do imposto de renda. O custo de aquisição usado no ganho líquido é a média ponderada dos custos unitários. Se você tem as mesmas ações em duas corretoras, o cálculo é um só: a Receita diz que a média vale "ainda que as ações estejam custodiadas em diferentes instituições". Quem controla o preço médio de cada corretora separadamente pode errar o ganho.

2. Separa o que você pagou do que o papel vale. A ação tem um preço de mercado e você tem o seu preço médio, e são coisas diferentes. Como disse o InvestNews: "Uma coisa é o preço de mercado de uma determinada ação. Outra coisa é quanto se pagou por ela". A diferença entre os dois é o seu resultado não realizado.

3. Ajuda a ler a carteira, mas não deve comandar a decisão. O pesquisador Terrance Odean (Universidade da Califórnia em Berkeley) analisou os registros de 10.000 contas de uma grande corretora de desconto, em estudo publicado no Journal of Finance em outubro de 1998. Concluiu que os investidores têm forte preferência por realizar ganhos em vez de prejuízos, que isso não se justifica pelo desempenho posterior e que, em investimentos tributáveis, leva a retornos menores depois do imposto. É um estudo antigo, com dados de uma única corretora.

Na prática, quem investe por aportes ganha em decidir o próximo aporte pela alocação-alvo, e não por o papel estar acima ou abaixo do que você pagou. O preço médio mostra o seu resultado; a meta mostra o que comprar.

O que acontece com o preço médio em desdobramento e bonificação?

Dois eventos mudam a quantidade sem você comprar nada:

  • Desdobramento: as ações novas têm custo zero. Nas palavras da Receita, "aumenta apenas a quantidade de ações e permanece inalterado o valor total das ações". O preço médio por ação cai na mesma proporção.
  • Bonificação (quando a empresa incorpora lucros ou reservas ao capital): o custo das ações recebidas é "o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista".

Exemplo de desdobramento: você tem 100 ações com preço médio de R$ 20,00 (custo total de R$ 2.000,00). Num desdobramento de 1 para 2, passa a ter 200 ações. O custo total continua R$ 2.000,00, então o novo preço médio é 2.000 ÷ 200 = R$ 10,00.

A conta fica mais trabalhosa com muitas compras, vendas e eventos ao longo dos anos. Por isso vale guardar o registro de todas as transações, e não só do saldo.

Onde encontro meu preço médio?

Na nota de corretagem (cada compra, com as taxas) e no extrato da sua corretora. A Área do Investidor da B3 reúne posições e movimentações, mas a própria B3 avisa que essas informações "são para fins consultivos" e recomenda pedir à corretora ou ao custodiante os informes de rendimentos. Para o imposto, confira sempre com os documentos da corretora.

O Allocta calcula o preço médio de cada ativo a partir das transações que você registra e usa a posição resultante no cálculo do aporte. Isso só funciona se o histórico estiver completo, então registre também as compras antigas.

Perguntas frequentes

A corretagem entra no preço médio?

Sim. Para o imposto, as despesas pagas nas compras e vendas (corretagem, emolumentos e similares) são somadas ao preço de compra e subtraídas do preço de venda.

O preço médio é diferente em cada corretora?

Para o imposto, não. O custo é a média ponderada de todas as compras da mesma ação, mesmo que estejam em instituições diferentes.

Vender com prejuízo muda o preço médio?

Não. A venda não altera o preço médio das ações que sobraram, como mostra a conta do exemplo. O prejuízo apurado em bolsa pode ser compensado com ganhos dos meses seguintes, dentro das regras da Receita. Os detalhes estão em IR na venda de ações e FIIs.

Como fica o preço médio depois de um desdobramento?

A quantidade aumenta, o custo total não muda e o preço médio por ação cai na mesma proporção. As ações do desdobramento têm custo zero.

Preço médio de FII se calcula do mesmo jeito?

Sim, para as cotas negociadas na bolsa. Cada compra, com as taxas, entra na média ponderada, como nas ações.

Fontes

Conteúdo educativo, não é recomendação de investimento.

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Artur Brasil

Artur Brasil

Investidor, apaixonado por finanças e mercado financeiro. Escreve para quem investe todo mês e quer entender o porquê de cada decisão. Também desenvolve o Allocta.

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